quinta-feira, outubro 25, 2007

Proposta de trabalho n.º 2

Perguntas tipo do GRUPO I
Lê o texto com atenção e responde ás questões propostas:

A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado?

Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.

Morto corpo da acção sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.

Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.

Fernando Pessoa


1. Identifica os recursos expressivos presentes nos dois primeiros versos e explicita o seu contributo para a construção de sentidos no poema.
1.1. Comenta o valor expressivo da interrogação.
1.2. Identifica aquilo de que o sujeito poético parece ter abdicado, referindo a lacuna que detecta em si próprio.

2. Comenta o valor expressivo da caracterização do "corpo" presente na 3.ª estrofe.
2.1. Explicita o contributo da forma verbal “Boiando" para o sentido da estrofe.

3. Identifica a figura de estilo que, na 4.ª estrofe, veicula a estagnação interior do sujeito.

4. Demonstra que este poema exemplifica o efeito paralisante da auto-análise característica da poesia de Fernando Pessoa ortónimo.

5. Analisa os aspectos formais do poema (composição estrófica, métrica e rima).

6. Num texto de cem a cento e vinte palavras, tendo em conta o estudo que fizeste de Fernando Pessoa, justifica o título desta pintura.




Perguntas-tipo do GRUPO II

Lê atentamente o texto:

Surpreendidos pelo fenómeno literário insólito de uma constelação de poetas, reivindicando pela boca do seu criador ou deles mesmos um direito à existência (...), os primeiros intérpretes tentaram tudo o que estava em seu poder para reduzir a estranheza desse desdobramento artístico. Essa redução tomou três direcções principais, mas finalmente complementares: a primeira consistiu em encontrar na vida do Poeta, na sua psicologia real ou suposta, as motivações dessa diversificação em poetas, característica da sua criação literária; a segunda, em mostrar, através da análise de cada um dos poetas que Pessoa pretendeu ser, que a apregoada autonomia não resiste a um exame, nem dos temas, nem das particularidades estilísticas; a terceira, finalmente, reenvia essa estranheza, diagnosticada como simples difracção de um comportamento histórico absurdo característico de uma classe sem futuro inteligível para essa mesma história de que é reflexo. Assim se utilizaram as três perspectivas que, segundo o autor da "Nova poesia portuguesa no seu aspecto psychologico”, se impõem na análise de uma obra: a psicológica, a literária, a sociológica, respectivamente representadas por João Gaspar Simões, Jacinto do Prado Coelho e Mário Sacramento. Por maiores que sejam as diferenças entre elas (...) uma coisa as unifica: mau grado o contributo histórico que cada uma representa e as inúmeras questões que debateram ou resolveram em relação à génese ou interpretação dos poemas, mau grado mesmo a subjectiva vontade de tentar erguer um monumento ao Poeta (salvo Mário Sacramento), tido como "genial", o perfil último que da sua poesia (e mesmo do homem) se destaca é, paradoxalmente, negativo. De uma maneira, por assim dizer, fatal, passou-se insensivelmente do campo da análise da heteronímia ao do seu desmascaramento, já com forte coloração pejorativa e, em seguida, à desmistificação não só do jogo heteronímico como do processo poético que ele estrutura, finalmente submetido a uma espécie de desmistificação. Tudo se passa como se os críticos, inconscientemente, tivessem querido punir Pessoa de ter levado consigo a chave de um labirinto onde eles se perdem.
Eduardo Lourenço, Pessoa Revisitado, Gradiva (texto com supressões)

1. Para cada um dos quatro itens que se seguem, indica a alínea correcta de acordo com o sentido do texto.
1.1. Na opinião do autor, as três linhas de abordagem desenvolvidas pelos primeiros intérpretes da constelação poética pessoana
a) construíram uma visão definitiva, embora incoerente, da obra pessoana;
b) tiveram na sua origem motivações muito díspares;
c) coincidiram na imagem final veiculada sobre o objecto estudado: autor e respectiva obra;
d) seguiram caminhos irreconciliáveis.

1.2. Na opinião do autor, os primeiros estudiosos da obra de Fernando Pessoa
a) uniram-se voluntariamente num desejo consciente de expor a poesia pessoana como uma espécie de jogo que, segundo eles, exigia ser desmascarado;
b) conscientemente tentaram expor a criação pessoa na como uma espécie de farsa;
c) conseguiram manter uma posição crítica imutável ao longo da sua exegese;
d) uniram-se involuntariamente num desejo inconsciente de expor a poesia pessoana como uma espécie de jogo que exigia ser desmascarado.

1.3. A expressão "a primeira " concorre para a organização do discurso ao
a) abrir uma série;
b) estabelecer um contraste;
c) apresentar uma síntese;
d) expandir um conceito.

1.'. A expressão "mau grado" veicula uma conexão
a) de carácter causal;
b) de carácter conclusivo;
c) de carácter consecutivo;
d) de carácter concessivo.
(Adaptado de "Testes de Avaliação / 12.º ano Português", Porto Editora)

1 comentário:

BRUNA disse...

Muito Bom Dia , gostaria de ter a analise do poema:"A minha Vida é um Barco Abandonado" O MEU Email é:
BrunaZzinha_CruZz@hotmail.com
Obrigada